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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Aberturas de Novelas - Escrava Isaura (Globo, 1976)

Capa do Box da novela "Escrava Isaura"
Divulgação: TV Globo

Entre 1976 e 1977, Gilberto Braga escreveu a novela "Escrava Isaura", baseado na obra homônima de Bernardo Guimarães. A trama, ambientada no século XIX, gira em torno da paixão doentia de um senhor por sua escrava branca.
Órfã desde o nascimento, a escrava branca Isaura (Lucélia Santos) desconhece quem é seu pai. Sabe apenas que a mãe foi uma mulata, mucama da fazenda onde agora reside. Isaura sempre foi amparada por Ester (Beatriz Lyra), sua senhora, que a educou como moça da corte. Com a morte de Ester, seu filho Leôncio (Rubens de Falco), se torna o administrador dos bens da família. Apaixonado por Isaura e furioso por não ser correspondido, ele se apodera de sua carta de alforria, deixada pela mãe, e aplica castigos cruéis à moça. Isaura também sofre com as intrigas de Rosa (Léa Garcia), uma escrava má e invejosa.
O desejo por liberdade se torna ainda mais premente quando Isaura se apaixona por Tobias (Roberto Pirillo), proprietário de terras vizinhas. O casal tem que enfrentar as perversidades de Leôncio, que se recusa a vender Isaura. O romance acaba tendo um fim trágico quando Leôncio incendeia a cabana onde se encontrava Tobias, desconhecendo que sua própria esposa, Malvina (Norma Blum), também estava lá.
Deprimida com a morte de Tobias, Isaura encontra consolo ao descobrir a identidade de seu pai, Miguel (Átila Iório), que decide comprá-la para lhe dar a sonhada liberdade. Mas Leôncio não aceita vendê-la e lhe impõe castigos cada vez mais cruéis. Ela passa a trabalhar na lavoura, além de assumir outros serviços pesados, e chega a ser presa ao tronco.
Isaura acaba fugindo com o pai e um casal de escravos amigos e vai morar em outra cidade, assumindo a identidade de Elvira. Lá, a moça conhece o jovem abolicionista Álvaro (Edwin Luisi). Ao ser desmascarada durante uma festa de gala, ela é forçada a voltar para o seu senhor. Completamente falido, o vilão se suicida no final, após ter todos os bens arrendados por Álvaro, inclusive Isaura.
"A Escrava Isaura" é uma das novelas que demonstra a qualidade da teledramaturgia brasileira. A produção coleciona diversos feitos históricos, entre eles, o fato de conseguir interromper guerras. Na primeira metade da década de 90, a Guerra da Croácia foi interrompida enquanto a novela era transmitida. Em 1997, em plena guerra entre Bósnia e Servia, a novela teve o mesmo impacto. Em Cuba, houve outro acontecimento curioso: o racionamento de energia chegou a ser suspenso durante o horário de transmissão da novela, para que todos pudessem acompanhá-la. Na China, a novela foi outro fenômeno e  Lucélia Santos foi a primeira atriz estrangeira a ser premiada no país.
A novela rompeu fronteiras, mudou hábitos, tocou pessoas de todas as cores, idiomas, religiões e convicções. Mais do que um texto, fotografia, direção de arte, quando uma novela consegue "conversar com o mundo" desta maneira, estamos diante de um produto excepcional.
"Escrava Isaura" foi o primeiro trabalho de Lucélia Santos na TV. Também foi nesta novela que Edwin Luisi estreou nas novelas da TV Globo. Rubens de Falco também marcou sua carreira, ao interpretar o vilão Leôncio.
De acordo com o portal Memória Globo, a novela figura entre os programas mais vendidos no mundo pela Rede Globo, somando atualmente 104 países licenciados a exibi-la.
Ícone da teledramaturgia nacional, "Escrava Isaura" é a abertura que vamos relembrar na coluna desta semana. O tema principal, intitulado Retirantes, foi escrito por Jorge Amado e Dorival Caymmi. A orquestra e coro da gravadora Som Livre foram os intérpretes da música.

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